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Subsídios agrícolas e obesidade: o balanço de fim de ano

Como o final de ano é um momento de elaborarmos reflexões sobre questões importantes do que se passou, trago hoje um dos assuntos que temos sempre comentado: os exagerados subsídios agrícolas dos países ricos.

Em termos simples, um subsídio é quando o governo paga (ou obriga os consumidores a pagar) para que uma atividade ocorra que, de outra forma, não aconteceria se o mercado fosse deixado por conta própria.

Já apontei como esses subsídios são contrários à sustentabilidade ambiental.

Mas, recentemente, uma nova publicação nos EUA trouxe uma informação importante.

Os subsídios federais nos EUA impulsionam a produção e o consumo de alimentos e — involuntariamente — as doenças crônicas.

É isso mesmo.

Cerca de 56,2% das calorias diárias consumidas por adultos nos EUA vêm de produtos alimentícios subsidiados pelo governo federal: milho, soja, trigo, arroz, sorgo, laticínios e carne bovina.

Embora esses alimentos ricos em calorias já tenham feito sentido para um governo que se preparava para a fome ou uma guerra total, nas últimas décadas eles contribuíram para deixar os norte-americanos mais obesos e doentes.

A obesidade é um dos principais fatores que contribuem para os custos com saúde.

Um estudo comparou a saúde de pessoas que consomem principalmente alimentos subsidiados pelo governo federal com a saúde daquelas que consomem menos desses alimentos.

Os indivíduos que seguem as preferências declaradas em relação aos alimentos subsidiados pelo governo (em vez da dieta que ele conscientemente recomenda) têm quase 40% mais chances de serem obesos e de enfrentarem problemas de saúde significativos relacionados à alimentação.

Aqueles com maior consumo de alimentos subsidiados pelo governo federal também apresentam taxas significativamente mais altas de gordura abdominal, colesterol anormal, níveis elevados de açúcar no sangue e mais marcadores de inflamação crônica.

De acordo com dados compilados para o Meatonomics, o agronegócio americano recebe cerca de US$ 38 bilhõesanualmente em financiamento federal, com apenas 0,4% (US$ 17 milhões) destinados a frutas e verduras.

Cerca de 5% do milho se transforma em xarope de milho rico em frutose, artificialmente barato (o que lhe permite competir com açúcares naturais tarifados), como o açúcar brasileiro.

Aqui, bastaria retirar o subsídio do milho e baixar as tarifas do açúcar brasileiro para que esse consumo exagerado de açúcar se ajustasse.

Em uma ordem econômica repleta de subsídios e regulamentações, a política agrícola se torna política de saúde.

Os subsídios governamentais para produtos agrícolas moldaram o atual cenário nutricional americano e estão exacerbando as tendências de obesidade.

Quarenta por cento dos americanos com mais de 60 anos são classificados como obesos.

Esse subsídio em larga escala nos EUA tem criado situações irônicas, pois atualmente há políticos americanos que pedem que o governo subsidie medicamentos para emagrecer para combater o que a própria política agrícola ajudou a destruir.

Em vez de reduzir sua péssima alimentação, o Tio Sam quer que o pagador de impostos pague por remédios para emagrecer, para desfazer o que essa política alimentar equivocada causou.

E isso em um país que já tem a geração mais medicada da história da humanidade.

Resumindo, esses pesados subsídios agrícolas estão transformando os EUA em uma nação que paga para ficar mais doente.

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