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O que o Agro tem a ver com a música?

Eu comentei recentemente uma contribuição do Agro através da Escola de Música de Nova Mutum-MT.
Mas o Agro tem inúmeras outras associações com a música.

As orquestras têm desempenhado um importante papel social, artístico e até mesmo civilizador em nossa sociedade.
Dentre os seus instrumentos, um dos mais fascinantes é o violino.
Ele é um instrumento musical de cordas, que faz parte da família dos instrumentos de cordas friccionadas, juntamente com a viola (erudita), o violoncelo e o contrabaixo (de arco).
O violino é fascinante, cheio de segredos e curiosidades para explorar. Mais do que conhecer a sua história, seu valor é reconhecido quando é tocado com maestria e muito prazer.
Mas no seu uso, o arco do violino possui fundamental importância, pois permite a produção contínua de som ao mesmo tempo em que é possível variar sua intensidade e duração.

Assim, com o arco do violino, o músico realiza diversas nuances, acentuações e articulações que permitem produzir sonoridades específicas, o que teria contribuído para mantê-lo em posição de destaque ao longo de séculos.
Mas há um detalhe que poucos conhecem em sua composição: o Pau-brasil.
Sim, o pau-brasil é considerado uma das melhores, se não a melhor, madeira para fazer arcos de violino devido às suas características de peso e elasticidade, que proporcionam controle e vibração ideais para o instrumento.
Historicamente, é a madeira mais utilizada para a confecção de arcos profissionais.
Essa madeira brasileira confere imbatíveis qualidades sonoras ao instrumento, conferindo ao arco características únicas de vibração, permitindo maior precisão e uma sonoridade mais rica e potente.

Além disso, essa madeira possui peso e espessura ideais, garantindo o controle e a estabilidade que os músicos precisam durante a execução.
Desse modo, o Pau-brasil se tornou a madeira tradicionalmente preferida na fabricação de arcos profissionais há séculos.
Mas como não poderia ser diferente, como aconteceu recentemente na lista de espécies invasoras, o Ministério do Meio Ambiente começa a exercer a sua mania constante de “vetocracia”.
É impressionante a capacidade que esses burocratas têm de se opor aquilo que dá certo ou que projeta o Brasil como um importante fornecedor e produtor de algum produto no cenário global.

O resultado é que estamos criando mais uma imensa controvérsia ambiental.
Devido à sua história de uso e ao fato de ser uma árvore ameaçada de extinção, o comércio do Pau-brasil para essa finalidade é controverso e, nos últimos anos, tem sido alvo de restrições.
Já há várias manifestações de associações internacionais ou artistas renomados preocupados com essa eventual proibição do uso dessa madeira.
No entanto, há defesas do uso sustentável do Pau-brasil reflorestado para suprir a demanda dos violinos.
É um mercado que o Brasil atende com qualidade única e que em nada prejudica o meio ambiente, pois sua produção vem de projetos de manejo totalmente sustentados e que não colocam em risco essa nobre madeira que deu nome ao nosso país.

É preciso reconhecer que quando o governo insiste em ser coautor em cada passo que o comércio realiza, estamos congelando a nossa prosperidade e roubando a chance de sermos protagonistas em diferentes áreas da sociedade.
Que o diga a música que pode ficar privada de um dos principais instrumentos, o violino com seus arcos de Pau-brasil!

*Antonio Cabrera foi Ministro da Agricultura e Reforma Agrária. LinkedIn: Antonio Cabrera

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