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O Fazendeiro de Deus

“Bem-aventurados vós os que semeais…” (Is 32:20)

Nesta última semana, estive em Luís Eduardo Magalhães, no interior da Bahia, para uma palestra com agricultores, por meio do projeto Com Cristo no Cerrado. Foi uma agradável surpresa. Havia visitado, 26 anos atrás, a antiga Mimoso (hoje Luís Eduardo Magalhães) para inaugurar o seu CTG (Centro de Tradições Gaúchas), então uma simples construção de madeira. Hoje encontrei uma cidade vibrante com quase 100 mil habitantes. É indescritível o que a agricultura fez naquele pedaço de Brasil. Mas a surpresa maior ainda viria mais tarde, quando um empresário chamado Jeferson me convidou para conhecer o senhor Hilário Schulz, lá conhecido como “Fazendeiro de Deus”. Sua fazenda está localizada em uma região chamada “cemitério dos gaúchos”, local assim apelidado devido ao fato de que, no final da década de 1970, vários produtores rurais deixaram o Rio Grande do Sul e lá fincaram as suas máquinas agrícolas. Mas, por uma série de razões, principalmente climáticas, a vasta maioria deles “quebrou” pelas sucessivas frustrações de safra. Mas o seu Hilário lá continuou. Explica-me ele que pediu a Deus para tomar conta de sua fazenda, com uma simples oração. E completa: — Acho que Deus disse: “Ah, este Hilário é realmente persistente, ele não desiste. Vou abençoá-lo!” Difícil de entender esta simplicidade de vida. Mas é bíblico: “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros…” (Pv 3:9-10)

E ali, naquele lugar chamado pelos homens de “cemitério dos gaúchos”, o senhor Hilário, enquanto percorria seus domínios e mostrava-me o fruto de seu trabalho, ajudava-me a compreender melhor as palavras do reformador João Calvino: “Se vê as suas terras de cultivo e seus vinhedos destroçados pela geada ou pelo granizo, e ele e sua família ameaçados pela fome, não se desanimará nem estará insatisfeito, antes, persistirá em sua firme confiança: estamos sob o protetor cuidado de nosso Deus, somos as ‘ovelhas de seu pasto’, pelo que Ele nos suprirá de tudo aquilo que necessitamos.”

Eu não estou sendo irresponsável ao mandar alguém plantar em um deserto e afirmar que Deus vai dar uma boa safra. Estou, sim, é admirado como algumas pessoas enfrentam as secas da vida com uma fé inabalável. Enfrentam a falta de chuvas da existência humana com uma crença admirável de que Deus cuida do orvalho e da terra. Isso me ensinou que temos que alimentar diariamente a nossa fé. Lembrei-me de uma conversa que tive com Paul Jehle, quando ele estava lendo uma Bíblia no avião e o passageiro ao lado disse: — Ah, eu não tenho esta fé. Ao que ele respondeu: — Tem sim, pois nós estamos em um metal mais pesado do que o ar, e você tem fé de que este pedaço de metal vai voar no ar. Você tem fé que os testes feitos nos laboratórios da Boeing funcionem agora! Sim, todos os dias exercitamos uma fé inata em alguém ou em algo. Mas ainda temos receio de confiar no Senhor. Aliás, Jesus deixou registrado a sua perplexidade com a nossa falta de fé: “Óh geração incrédula e perversa.” (Mt 17:17) Esta foi a simples, mas poderosa receita do senhor Hilário. Confiar no Senhor. É assim: primeiro você coloca o pé, depois Deus coloca o chão. O resultado você pode ver a seguir. Abóboras e a família Schulz: a mais leve pesando 31 quilos.

PS: Depois descobri que Jeferson, o responsável pelo convite para essa aula de vida, foi evangelizado pelo seu Hilário há cerca de dez anos. Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha.

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